A compulsão pela vitória é o doping que move Roger Federer



“Vocês me fazem nervoso, me fazem ir treinar. Gostaria de agradece a vocês por tudo. Não seria o mesmo sem vocês”. Estas foram as palavras do suíço Roger Federer logo após bater o croata Marin Cilic por 3 sets a 2 (6/2, 6/7, 6/3, 3/6, 6/1) e conquistar o Australian Open, seu 20º título de torneios do Grand Slam da carreira.

E Federer chorou assim que sua última fala foi coberta por uma ovação estrondosa. O púbico se levantou e aplaudiu mais por necessidade do que por simples reverência. Sabem que estão diante de um dos maiores de todas as modalidades esportivas, que, aos 36 anos, ainda se sente motivado o suficiente para se levantar cedo, exigir muito do seu corpo e cair no circuito em busca de novas conquistas.

Após ficar sete meses parado por conta de uma lesão no joelho esquerdo, em meados de 2016, Federer passou a conviver com o fantasma que quase sempre aflige as lendas do esporte. Voltou, venceu o mesmo Australian Open e Wimbledon no ano seguinte, e provou ao mundo do tênis que nem a idade nem o físico ainda poderiam interromper o ciclo que colocou Roger num patamar que hoje, em atividade, só se encontram mais dois adversários, o espanhol Rafael Nadal e o sérvio Novak Djokovic.

Roger Federer vence pela sexta vez o Australian Open, seu 20º título de Grand Slam da carreira (Foto: SAEED KHAN / AFP)

Roger Federer vence pela sexta vez o Australian Open, seu 20º título de Grand Slam da carreira (Foto: SAEED KHAN / AFP)

Em entrevista recente ao site Gulfnews, Federer foi bastante claro sobre o tema: “Tenho bem determinados os quatro fatores que me fazem seguir jogando. Se meu corpo e minha família seguem me permitindo competir, se o êxito persiste e se sigo sendo feliz com esse ritmo de vida de muitas viagens, seguirei competindo. Quando alguma dessas coisas falhar, será o momento de repensar tudo”. Atletas como Roger Federer vivem o êxtase e a angústia de estarem sempre no topo. Qualquer queda, por mais leve ou temporária que seja, traz consigo a pressa de vaticinar o fim de uma era e o começo de outra.

Federer ainda está se divertindo – e em um nível absurdo. Atual número 2 do mundo, atrás de Nadal, demonstra nas quadras que é apenas isso que o move até o próximo torneio. A compulsão pela vitória é o ‘doping’ eterno dos gênios do esporte. Se a cada rebatida perfeita Roger Federer está mais perto da aposentadoria, vale acompanhar cada movimento do tenista como um privilégio para os olhos.

Que continuemos deixando Roger Federer nervoso.



MaisRecentes

Nos 60 anos de Oscar Schmidt, lembre o discurso de sua entrada no Hall da Fama



Continue Lendo