Renato Portaluppi é o melhor: ele mudou ou eu mudei?



Devo dizer, pra início de conversa, que estou entre aqueles que olhavam Renato Gaúcho (ainda pode chamar assim?) com reservas. Talvez, verdade, por certo preconceito. Me incomodava aquela marra toda, a carreira que não tinha continuidade. Um bom trabalho aqui, oito meses de praia. Outro bom trabalho ali, um ano fora. Parecia não ter muito interesse pela profissão. Se não tiver nada melhor pra fazer, aceita a proposta.

Também contribuiu para esta percepção a frase que será lembrada para sempre, de quando estava em seus primeiros momentos no atual trabalho à frente do Grêmio. “Quem precisa aprender, estuda. Quem não precisa, vai pra praia”, disse. Uma ironia com a tendência, principalmente de técnicos jovens, de viajar à Europa para cursos e intercâmbios. Como se pode tirar um barato da cara de quem está tentando melhorar como profissional?

Mas como é que alguém ainda pode ter olhares críticos ao técnico Renato Portaluppi diante do que está fazendo nestes quase dois anos à frente do Grêmio? O Tricolor tem o melhor time do país, ainda que careça de melhores reservas. Joga um futebol quase inatacável, tem pelo menos três jogadores, Arthur, Geromel e Luan, que deveriam estar na Copa do Mundo e, depois de um título de Copa do Brasil e um da Libertadores, segue sem dar qualquer sinal de desgaste. Na mesma semana fez cinco gols no Cerro Porteño e outros cinco no Santos. É favorito a mais um título da Libertadores.

Renato Portaluppi comanda o Grêmio na estreia do Brasileiro 2018

Que baita treinador: Renato Portaluppi é gigante (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)

É óbvio que Renato também mudou. Cristiano Ronaldo à parte, percebeu que não dá pra ser fanfarrão 24 horas por dia, que assim não seria levado a sério por melhor que fosse seu trabalho. E, nos tempos de Fluminense, já pagou caro pela língua solta (“vou brincar no Brasileiro”). A impressão que tenho é que Renato, aos 55 anos, se encontrou como treinador de futebol. Sente um tesão que jamais sentiu e estar no comando de um clube que ama só dá mais força ao trabalho que vem fazendo.

Mudei eu, também. Parei de apontar o dedo para cada frase e entendi o temperamento de Renato. E melhor que não seja mais um padronizado no futebol brasileiro. Ao encontrar o meio termo entre a graça e a seriedade, Renato me fez enxergar que por trás de seus óculos escuros (impressão minha ou tem usado menos?) está um técnico que merece um enorme respeito. Um cara que faz a gente sentir gosto de ver o Grêmio jogar.

Ano passado, antes do tri da Libertadores, o amigo Leandro Iamin, que olha para o futebol como poucos, disse que apostaria que o técnico da seleção depois da Copa do Mundo seria Renato. Eu olhei entre a surpresa e a dúvida. Hoje, tenho certeza. Se Tite sair, não há nenhuma opção melhor que Renato Portaluppi.