Do luxo ao lixo: dinheiro inflou a meta, mas não foi o suficiente para o PSG



Cristiano Ronaldo enterra as pretensões do PSG na Champions League (GEOFFROY VAN DER HASSELT / AFP)

Cristiano Ronaldo enterra as pretensões do PSG na Champions League (GEOFFROY VAN DER HASSELT / AFP)

Acabou o sonho para o PSG. Duas derrotas incontestáveis contra o Real Madrid e eliminação nas oitavas de final da Champions League. Não há vergonha, afinal, o adversário é o de camisa mais pesada na história do torneio e que tem um elenco recheado de grandes nomes, liderado por Cristiano Ronaldo. Se o sorteio foi cruel para os franceses, é verdade também que se esperava mais de um time que gastou R$ 3 bilhões para fazer frente às grandes potências europeias.

E aí entra o fator Neymar. Todo o novo PSG foi desenhado para girar em torno do brasileiro, mas logo de cara ficou notório o problema criado dentro do próprio elenco. Disputa por protagonismo, Vestiário rachado, treinador no meio do tiroteio, rumores dos mais variados. A grave lesão de Neymar, que o tirou do jogo decisivo contra os merengues, só ratificou a fragilidade que o milionário PSG incorporou a adotar uma postura agressiva no mercado sem necessariamente formar uma equipe desprovida de egos inflados.

Na manhã desta quarta, os jornais franceses dão como certa a saída de Unai Emery do comando do PSG e já falam em possíveis substitutos, como o italiano Antonio Conte, hoje em rota de colisão com a diretoria do Chelsea. O Campeonato Francês virou uma reles formalidade. Muito à frente dos rivais, o time tem a obrigação de conquistá-lo sem receber muitos louros por isso. O dinheiro inflou a meta e colocou uma pressão muito maior sobre a equipe francesa.

Neymar no Real Madrid após a Copa do Mundo? Cavani saindo se Neymar permanecer? Di María e Draxler permanecem como reservas de luxo? O malabarismo para atender tantos anseios estica ainda mais a corda e coloca em xeque a estratégia de gastar o que for preciso para tentar alcançar o posto de ‘melhor time do mundo”. Se dinheiro não é problema, falta ainda a visão de transformar esta ambição numa orquestra mais afinada e menos ostensiva.

O brasileiro Lucas Moura acertou em cheio ao largar a ilha de fantasia, onde dificilmente teria espaço, para retomar sua carreira num arrojado Tottenham, que vem crescendo no cenário europeu sob comando de Mauricio Pochettino, mesmo não tendo as mesmas condições financeiras para brigar com rivais como City e United na Premier League. Tão óbvio quanto assertivo, no fim, só jogam 11. E ao trazer Neymar, o PSG quis que os outros 10 jogassem por ele. E na partida de ontem, ele não estava lá. Sobrou um arremedo sem a confiança necessária para derrubar um gigante.