Na Fórmula Indy, como na F-1, o futuro para o Brasil é sombrio



Faltou muito pouco para que a Fórmula 1 não tivesse nenhum piloto brasileiro em 2017. No soar do gongo, o recém-aposentado Felipe Massa foi chamado de volta por causa do efeito cascata provocado pela surpreendente decisão do campeão Nico Rosberg, que não defendeu seu título. As perspectivas de um novo piloto brasileiro que faça uma carreira sólida na F-1 não são nem um pouco animadoras. E, se olharmos pro outro lado do oceano, veremos um panorama pouco falado, mas bem semelhante.

Helio Castroneves e Tony Kanaan são os brasileiros na Indy há mais de uma década. Ambos já passaram dos 40 anos e não vão longe na categoria. Há quem diga que Helio para no fim da temporada, que tem mais duas corridas, e passa a disputar apenas as 500 Milhas de Indianápolis, prova que venceu três vezes. Kanaan, vencedor da principal prova do automobilismo americano e campeão da categoria em 2004, vive uma fase ruim e o futuro na Indy não parece dos mais promissores.

O nome brasileiro ao se olhar para o futuro na Fórmula Indy é o de Matheus Leist, piloto gaúcho que foi campeão inglês de F-3 em 2016 e faz uma boa temporada de estreia na Indy Lights, a mais famosa categoria de acesso à Indy. Quarto colocado e com três vitórias em seu primeiro ano, é provável que consiga subir em até duas temporadas. Deve chegar lá, mas permanecer é muito diferente.

Felipe Massa dando entrevista

Felipe Massa quase parou em 2017. E em 2018? (Foto: Miguel Medina/AFP)

O futuro brasileiro na Fórmula 1 e na Fórmula Indy mostra que o país já há algum tempo vive de sopros, de acasos. Pilotos não são mais formados no Brasil, que tem um automobilismo sucateado, com apenas uma categoria grande e relevante, a Stock Car, e sem nada hoje que consiga formar jovens pilotos de monopostos que possam chegar ao topo internacionalmente.

Matheus Leist, como algum outro que consiga chegar lá em cima, conseguirá por esforços próprios ou pela sorte de conseguir um bom patrocinador. Felipe Nasr (lembra?) fez duas temporadas na F-1 com a força de um patrocinador poderoso. Estreou bem, caiu junto com sua equipe e, sem a grana que o mantinha, perdeu o lugar. Àqueles que gostam de esporte apenas quando existe um brasileiro com chance de vitória, é bom procurar algo pra assistir. No automobilismo a estiagem já é longa e será ainda duradoura.



  • Darcio Vieira

    muito se fala da F1, mas na Indy chegou até ter mais brasileiros correndo ao mesmo tempo que a f1. Diria que o cenário é desesperador. Há anos, o Brasil vive de Kanaã e Castroneves na Indy. Chegou a ter um chegado dos caras da Band correndo lá, mas o cara era ruim demais.