No ano errado do Palmeiras, erro maior é culpar Egídio



O futebol, como a vida, não cultiva muito o saudável hábito da Justiça. E injusto é jogar sobre os ombros de Egídio o ano frustrante do Palmeiras.

Se você é palmeirense, talvez já tenha começado a me xingar, talvez já esteja com os dedos coçando para dizer que sou torcedor de algum rival (você não me conhece, calma). É óbvio que Egídio nunca foi um jogador de arrancar suspiros da torcida. Foi vaiado e criticado e na maior parte das vezes com razão. Mas se o Palmeiras (provavelmente) terminará o ano sem título algum, a culpa não é do seu homem da esquerda.

Antes de mais nada, cabe lembrar do famoso clichê só bate quem erra só erra quem bate. E Egídio, sabendo que estava na mira da torcida, como sempre esteve, se colocou à disposição para cobrar aquele pênalti. Como provavelmente sabia que seria seu último ato no Palmeiras caso não conseguisse o gol. E lá se foi o ano do time com um pênalti perdido por Egídio. Foi vaiado e xingado na hora. Toda a raiva pelo roteiro ruim de 2017 caiu sobre seus ombros. Não é justo.

Egídio em entrevista aos jornalistas

A culpa não pode cair nas costas de Egídio (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

A Egídio cabe parte da culpa. E digo que uma parte pequena. O Palmeiras formou um time milionário e cheio de medalhões, mas sem alma. Não foi de Egídio a ideia de trazer Felipe Melo. Não foi de Egídio a ideia de contratar Michel Bastos, que não vingara do outro lado do muro, no São Paulo. Ele não assinou o contrato de Borja. Egídio deve responder pelo seu desempenho ruim como lateral esquerdo do Palmeiras. E nada além disso. Errou um pênalti como antes dele erraram jogadores de imensa capacidade técnica, como Zico. Evair, um gênio dos pênaltis e ídolo palestrino, também errou.

As explicações precisam vir acima de tudo da diretoria. Do presidente, do diretor remunerado. Que devem desde já explicar o projeto para 2018. Como uma base fortíssima, o Palmeiras pode escrever um roteiro bem diferente para o próximo ano, sem torrar milhões para trazer reforços e montar novamente um time desencontrado e sem liga.

Egídio deve ir embora. Mas que não vá embora como um bandido, o que não é. Foi digno defendendo o Palmeiras e, se não deixará saudade, ao menos merece respeito. Desempenhar mal sua função é um risco que qualquer um corre.