A final do Campeonato Paulista escancarou o óbvio: o VAR é uma necessidade



O olhar desesperado do juiz em busca de uma certeza que o VAR poderia lhe fornecer ratifica o óbvio da necessidade da tecnologia (Foto: Agência Palmeiras)

O olhar desesperado do juiz em busca de uma certeza que o VAR poderia lhe fornecer ratifica o óbvio da necessidade da tecnologia (Foto: Agência Palmeiras)

Assim que Dudu invadiu a área e Ralf entrou na dividida, o resultado da final do Campeonato Paulista dividiria o protagonismo com a polêmica. O juiz Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza apontou a marca da cal e os jogadores do Palmeiras já comemoravam a chance iminente do empate. Mas, assustado com a revolta dos corintianos, que apontavam para o quarto árbitro, Marcelo Aparecido começou a dar sinais claros de insegurança. Olhava para a beira do gramado, colava o ponto no ouvido, em busca de uma luz. Oito minutos depois, resolveu reverter a marcação, provocando toda a indignação do time da casa.

Uma das bandeiras levantadas por quem é contra o VAR é que ele interrompe a partida em momentos cruciais, estragando o espetáculo. Ontem, com o auxílio da tecnologia, o juiz poderia em 30 segundos olhar o lance novamente e decidir conforme sua interpretação. Como disse ao final da partida que revendo o lance ficou com a certeza de que não foi pênalti, a discussão terminaria ali, evitando toda a confusão formada no gramado e as acusações de interferência externa.

Ironicamente, o Corinthians votou contra e o palmeiras a favor do VAR no conselho técnico recentemente feito pela CBF em conjunto com os clubes para determinar as regras da próxima edição do Campeonato Brasileiro.  Enquanto o futebol brasileiro continuar ignorando as ferramentas para diminuir os erros da arbitragem e as insuportáveis reclamações de jogadores durante as partidas, todas as teorias especulativas continuaram ganhando força.

Não há gravação da comunicação entre os juízes, o que torna possível cravar que houve interferência externa no clássico de ontem, hipótese também levantada no Fla-Flu do Brasileirão de 2016 e no mesmo dérbi paulista na fase de grupos do Paulistão. A forma como o juiz Marcelo Aparecido determinou o desfecho do lance foge totalmente da transparência exigida para casos assim. Muito mais próximo da jogada que seus companheiros de trabalho, buscou a opinião de outros para dar o apito final. Ao mesmo tempo, permitiu a pressão dos dois times, transformando a cena num verdadeiro pastelão. Seu olhar desesperado para todos os lados em busca de uma certeza que o VAR poderia lhe fornecer ratifica o óbvio da necessidade da tecnologia.

Corintianos comemoram, palmeirenses protestam e a final do Paulistão ficou marcada ainda pela torcida única de um lado, campeões sem volta olímpica, vice-campeões fora da cerimônia de premiação e depredação da sede da Federação Paulista na sequência. O retrocesso deu as caras mais uma vez.