Em semana de dérbi decisivo, o veto impera



Emerson Sheik e Juninho disputam bola durante a partida de ida da final do Campeonato Paulista 2018 (Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians)

Emerson Sheik e Antônio Carlos disputam bola durante a partida de ida da final do Campeonato Paulista 2018 (Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians)

Desde 1999, não havia um dérbi como decisão de campeonato. E foi justamente no Campeonato Paulista este último encontro, quando o Corinthians venceu um Palmeiras ainda de ressaca pela conquista da Libertadores da América, em confronto marcado ainda pelas embaixadinhas de Edílson e uma briga generalizada no gramado do Morumbi.

Quase vinte anos depois, os times voltaram a se encontrar numa final, mas agora com o clássico já revestido de proibições. Para começar, torcida única do mandante em cada partida, como foi estabelecido desde 2016 pelo Ministério Público de São Paulo para os confrontos entre os grandes do estado de São Paulo. Agora, a nova polêmica vai além do jogo: os dois times manifestaram o interesse de fazer treinos abertos à torcida no sábado, véspera da decisão, o que foi rechaçado pela Polícia Militar de São Paulo. A alternativa: um time abre o treino de sexta e o outro, no dia seguinte. Caso contrário, a PM não garante efetivo e segurança para os deslocamentos dos torcedores rivais.

A linha vermelha do metrô que separa Itaquera da Barra Funda também é um retrato melancólico das rivalidades atuais no estado. Estádio dividido? Utopia imaginar este resgate. 10% de ingressos para a torcida rival? Cada vez mais improvável. A sensação é de que, dependendo do mando indicado na tabela, os visitantes de antes são obrigados a se reunir em seus redutos próprios e têm seus passos cerceados para evitar confrontos e mortes pelo caminho.

Culpados existem aos montes. As organizadas, que por décadas a fio foram incapazes de expurgar de seus quadros criminosos, são o alvo mais óbvio, mas não o único. Em tempos de arenas modernas, a PM (e o governo estadual, por tabela) admitiu sua incapacidade de preservar a segurança de quem apenas deseja incentivar seu time. As proibições chegaram até mesmo em locais preservados para uma torcida específica, como a do Palmeiras, impedida de fazer festa nos arredores do Allianz Parque em dias de jogos. E na outra ponta está o Ministério Público, liderado pelo promotor Paulo Castilho, que, sem garantias de segurança, não abre mão da torcida única em clássicos, medida estendida até mesmo para a Copa São Paulo de Juniores.

Aos poucos, todos os ingredientes que marcavam um clássico em São Paulo foram minguando. Bandeiras, instrumentos musicais, sinalizadores, cerveja.  Até chegar nos torcedores visitantes, esterilizando por completo aqueles jogos capazes de parar a cidade, tamanho o impacto da rivalidade. No domingo, Palmeiras e Corinthians novamente entram em campo inseridos neste novo cenário. Estádio lotado, como foi no jogo de ida, mas com as arquibancadas monocromáticas. Foi o que sobrou do clássico: uma festa repleta de regras e com convite intransferível.