Entre várias bobagens, Osorio disse uma grande verdade sobre Neymar



A comemoração pedindo silêncio aos críticos, um clássico da carreira de Neymar (Foto: Fabrice COFFRINI / AFP)

A comemoração pedindo silêncio aos críticos, um clássico da carreira de Neymar (Foto: Fabrice COFFRINI / AFP)

Até um ator do elenco de Harry Potter criticou a teatralidade de Neymar, que sofreu um desleal pisão do mexicano Miguel Layún e se contorceu de dor na beira do gramado, bem ao lado de Juan Carlos Osorio. E foi justamente o treinador do México quem perdeu a linha na coletiva após a partida.

Entre diversas bobagens proferidas, como “Brasil foi favorecido” e “este é um jogo de virilidade, de homens”, nem tudo pode ser descartado. Osorio disse ao menos uma grande verdade: não se pode perder tanto tempo numa partida com um único jogador. E Neymar contribui diretamente com isso com seu estilo de jogo provocativo, chamando faltas, irritando a marcação e protestando contra a arbitragem a cada falta – marcada ou não.

Para quem acompanha a partida pela TV, a sensação é que a seleção brasileira tem uma polêmica por jogo, que vai do VAR ao pedido de pênalti, do chilique ao número de faltas sofridas pelo camisa 10. Invariavelmente, Neymar se coloca numa posição que vai muito além do protagonismo técnico. Não é uma impressão particular dos rivais. Figuras históricas do futebol, como Maradona, Eric Cantona, Gary Lineker, Alan Shearer e Peter Schmeichel levantaram a voz para criticar o comportamento de Neymar em campo. Em todas as linhas publicadas nenhuma ressalva ao seu futebol, apenas fortes opiniões sobre a conduta.

Neymar não precisa ser um exemplo para crianças, como o próprio Osorio sugeriu de forma velada, e certamente continuará sendo tratado como ídolo. A questão agora é entender que imagem vai carregar para os próximos anos de carreira. Do moleque gênio formado nas categorias de base do Santos ao astro de PSG (Real Madrid?) e da seleção, há elementos que se repetem à exaustão: os gols bonitos, os dribles desconcertantes e a imaturidade.

Há seis anos, até mesmo Tite protestava contra as simulações de Neymar. É natural que o proteja agora, mesmo que não consiga evitar a proliferação de dedos apontados. A escolha sempre foi de Neymar, um gênio com a bola no pé e um adolescente buscando atenção a todo momento assim que pisa no gramado.