A mulher é quem manda: como o 8 de março (e todos os outros dias) deveria ser nos estádios?



Torcedoras do Cruzeiro marcam presença nas arquibancadas do Mineirão (Foto: Divulgação Cruzeiro)

Torcedoras do Cruzeiro marcam presença nas arquibancadas do Mineirão (Foto: Divulgação Cruzeiro)

Por Bruno Guedes *

O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, antes de mais nada, é um dia de luta, de levantar a voz contra a desigualdade, a discriminação, a violência. Ao redor do mundo, marchas marcaram a data, que pouco tem de caráter comemorativo, embora não falte espaço para “homenagens” que saem pela culatra.

Estabelecimentos com mulheres trabalhando e homens de folga, mensagens machistas, agressor flagrante desejando feliz dia, e por aí vai. No futebol, em que as “cabeças pensantes” quase exclusivamente são homens, as patacoadas também apareceram, com promoções que as tornavam meras acompanhantes de maridos, namorados ou irmãos nas arquibancadas.

Em um ambiente tão hostil, como os estádios, as mulheres gostariam que a mulher fosse vista de que maneira no 8 de março ou em todos os outros dias? Não seria a hora de nós, homens, nos importarmos com isso? Perguntamos a sete mulheres que vivem o futebol de diferentes maneiras como o 8 de março poderia ser celebrado nos estádios de futebol.

– As mulheres têm que ser torcedoras protagonistas, e não tratadas como alegorias, adereços ou meras acompanhantes, sempre ali a reboque de um homem. Mulheres são protagonistas da sua paixão por futebol.
Gabriela Moreira, jornalista

– Acho que não é o caso de ter uma celebração ou ato formal. Qualquer estádio que seja capaz de proporcionar um ambiente seguro e confortável pra todas suas torcedoras já está prestando essa homenagem todos os dias.
Rafaela Braga, administradora

– Deveria haver campanha, com vídeos no telão, contando fatos de estádio relacionados com a mulher. Estupro, assédio, ofensas por causa do gênero. Sempre lembrando que poderia ser alguém próximo aos torcedores ali, mãe, irmã, filha.
Fernanda Russo, jornalista

– Não tem muito o que fazer no estádio se fora dele a gente é esquecida. As homenagens teriam que ser feitas fora do estádio pra se refletirem lá dentro. Por exemplo: oferta de produtos femininos como tem no masculino. Variedade e tamanho de camisas lançadas ao mesmo tempo. Mulheres trabalhando nos clubes sem ser na cozinha e na limpeza.
Cláudia Simas, analista de relações internacionais

– A verdade, é que não há ação de um dia que minimize o que as mulheres passam diariamente. Homens e mulheres, sim, temos de ficar atentos todos os dias.
Marcela Jardim, farmacêutica

– Primeiramente, precisamos que o estádio seja um ambiente menos hostil para nós. É difícil sermos torcedoras normais, sendo xingadas só por sermos mulher, passando sufoco e ficando calada, porque não podemos revidar, pelo medo de sermos agredidas. Não queremos homenagens cor de rosa e, no resto do ano, sermos esquecidas como torcedoras.
Priscilla Mangabeira, cozinheira

– Com conscientização do torcedor de que a mulher é torcedora, consumidora do clube. De que ela precisa ser respeitada. Então, parem com as piadas, com o assédio e deem adeus à objetificação da mulher.
Flavya Pereira, jornalista


* Bruno Guedes é jornalista