Mohamed Salah é o cara para quebrar o monopólio Messi-Cristiano



Talvez tenhamos ficado preguiçosos, talvez tenhamos perdido o hábito de olhar para o todo. Mas desde 2008 a discussão sobre o melhor jogador do mundo virou um diálogo entre Messi e Cristiano Ronaldo. Desde então, cada um ganhou o prêmio da Fifa cinco vezes e não há dúvida de que a dupla dominou o futebol na última década. Mas este ano pode ser diferente. Este, até agora, é o ano de Mohamed Salah.

“Nossa, que precipitado”, dirá a leitora. “Mas já?”, perguntará um leitor. Com certa razão. As semifinais da Liga dos Campeões ainda serão jogadas, a Copa vem aí e imagine o que pode acontecer com Cristiano e Messi até lá. Verdade. Mas e o que pode acontecer e o que já aconteceu com Salah na temporada?

O Liverpool de Salah, gigante europeu que vinha se comportando como um time inofensivo há alguns anos, está se reerguendo. Voltou à Liga dos Campeões e não apenas isso: está muito, muito perto da vaga nas semifinais depois de colocar 3 a 0 no jogo de ida contra o Manchester City. Se passar, será o azarão diante de (provavelmente) Barcelona, Bayern e Real Madrid. Mas já não era um dos favoritos para alcançar as semifinais, certo? Ou, que seja, de abrir a vantagem que abriu nas quartas de final.

No fortíssimo Campeonato Inglês, o Liverpool briga pelo vice-campeonato com o Manchester United e já tem vaga praticamente assegurada na próxima Liga dos Campeões. E a contribuição do atacante egípcio não foi pequena: fez 29 gols em 31 jogos. Na temporada, já foi às redes 38 vezes em 43 partidas.

Mohamed Salah comemora gol na Premier League

Mohamed Salah celebra um dos 29 gols na Premier League (Foto: Glyn Kirk/AFP)

Com Salah, o Egito deixa de ser uma força apenas dentro da África e volta à Copa do Mundo. E o sorteio lhe foi generoso: se não está em um grupo fácil, é verdade que a chave com a anfitriã Rússia, a Arábia Saudita e o Uruguai é acessível. Se chegar ao Mundial em boas condições, Salah pode ajudar o Egito a passar da fase de grupos pela primeira vez. Somado ao que fez pelo Liverpool, um cenário assim, creio, só o tornaria derrotável como melhor do mundo se Cristiano ou Messi fizessem uma Copa muito fora da curva (leia-se: levarem suas seleções ao título). Ou, vá lá, se Kevin De Bruyne fizer a Bélgica deixar de ser apenas dona de uma boa geração.

Salah é hoje meu favorito, o cara que quero ver jogar, apesar do brilho da dupla Messi-Cristiano. É hoje o cara que é meu candidato a quebrar o monopólio de dez anos no prêmio de melhor do mundo. Aliás, alguém tem a figurinha 90 repetida pra trocar?