Barcelona: o empréstimo de Mina parece inevitável



Mina recebeu poucas chances e, quando elas chegaram, seu desempenho não convenceu (Foto: Pau Barrena / AFP)

Mina recebeu poucas chances e, quando elas chegaram, seu desempenho não convenceu (Foto: Pau Barrena / AFP)

Quando mais de 8 mil pessoas foram ao Camp Nou para a apresentação de Yerry Mina, ninguém esperava estar recepcionando uma super estrela. Para a torcida – e provavelmente para o jogador também -, estava claro que o papel do ex-palmeirense na temporada seria apenas compor elenco, ocupando a vaga deixada por Mascherano. Ele seria o quarto zagueiro do time, função ingrata pelas poucas oportunidades de entrar em campo.

A primeira partida, ainda começando no banco, demorou quase um mês para chegar. E depois, mesmo quando Piqué começou a sofrer com problemas no joelho, o treinador Ernesto Valverde hesitou em dar chances para Mina, que só teve oportunidade de estrear no Campeonato Espanhol quando Umtiti estava suspenso, Vermaelen lesionado e Piqué precisava ser poupado de qualquer forma para chegar bem nas fases decisivas da Liga dos Campeões.

Por mais que a adaptação de um jogador que nunca atuou no futebol europeu seja naturalmente mais lenta, era claro que havia um problema de confiança. Valverde precisava poupar Piqué, mas não contava com seu reserva. A situação ficou ainda mais evidente quando os primeiros rumores de um empréstimo do colombiano começaram a surgir, simultaneamente com as especulações sobre a chegada de um novo zagueiro para o elenco no meio do ano.

Entre quem acompanha o Barcelona, seja como torcedor ou comentarista, a discussão sobre a capacidade de Mina estar à altura do clube se tornou recorrente. O talento e a projeção do colombiano são inegáveis e justificam a aposta nele. Entretanto, a falta de experiência em competições de elite é um ponto fraco que justificaria tanto a falta de confiança do treinador quanto a ideia do clube de emprestá-lo por uma temporada para ganhar rodagem.

A Copa do Mundo poderia ser um momento importante para Mina. Boas atuações com a Colômbia seriam um forte argumento para que o Barça continuasse apostando nele na próxima temporada. Essa possibilidade, porém, parece remota diante da desastrosa atuação do zagueiro contra o Levante, jogo que custou a invencibilidade do Barcelona no Campeonato Espanhol. Técnica e taticamente, o ex-palmeirense esteve completamente perdido em campo e conseguiu ser um destaque negativo mesmo em uma partida em que quase ninguém do time se salvou.

Ainda contra o colombiano está a condição física de Vermaelen, um ótimo zagueiro que sofre muito com lesões. Sem poder confiar que terá o belga disponível sempre que necessário, o clube deve buscar uma outra alternativa para a reserva imediata de Piqué e Umtiti, relegando Vermaelen à função de quarto zagueiro mencionada anteriormente.

Mina, nesse cenário, ficaria sem espaço, já que não está pronto para ser o reserva imediato e não conseguiria evoluir se continuasse como quarto zagueiro. O empréstimo não apenas surge como uma opção viável, como parece ser o único caminho que o zagueiro pode seguir se quiser ter a oportunidade de triunfar no Barcelona.

O objetivo seria claro: jogar em outro clube, fazer uma boa temporada e voltar com crédito para aspirar por algo maior do que não ficar nem no banco na maioria dos jogos. O status que Mina alcançou no Brasil ficou por aqui. Para mostrar que é bom o suficiente para o Barcelona, é preciso aproveitar as oportunidades que recebe, algo que não aconteceu até agora.

Seja no Barcelona ou emprestado a outro clube, Mina precisará jogar bem de forma consistente na próxima temporada se quiser voltar a ser importante para sua equipe. Não há outra alternativa: ou joga, ou dança.

* Vinicius Alexandre é torcedor do barcelona e assina o Blog Nou no ESPN FC