Itália encontra seu 7 a 1 e precisa se transformar para seguir gigante



2010 | Paraguai 1 x 1 | Nova Zelândia 1 x 1 | Eslováquia 3 x 2

2014 | Inglaterra 1 x 2 | Costa Rica 1 x 0 | Uruguai 1 x 0

Os seis jogos acima foram disputados pela Itália depois de ter sido campeã mundial pela quarta vez, em 2006: uma vitória, dois empates e três derrotas. Foi eliminada na primeira fase nos últimos dois Mundiais e, nesta segunda-feira (13), completou uma década macabra ao empatar com a Suécia, resultado que a deixará fora de uma Copa pela primeira vez desde 1958. É uma tragédia? Não, e pouco muda no que será o torneio na Rússia.

A Itália, cujo maior vexame era a derrota para a Coreia do Norte em 1966, estava flertando com seu 7 a 1 desde que ergueu a taça em 2006. É tradicional, importante e tem uma camisa pesada, mas tudo isso tem pouca importância neste nosso tempo. Não há mais respeito ou medo quando uma seleção grandona entra em campo. E do outro lado, no confronto de repescagem, estava a Suécia, que se não foi aos dois últimos Mundiais, tem uma longa história na competição.

Jogadores italianos choram no gramado

O desespero dos jogadores italianos, que não vão à Copa (Foto: Miguel Medina/AFP)

Quando a Argentina flertava com o mesmo drama que se abateu sobre a Itália, escrevi aqui neste espaço que a Copa não perderia a graça sem os argentinos. E não perderá a graça sem a Itália. Será uma delícia de se ver, como sempre é. Além de sua linda e vencedora história e seu maravilhoso uniforme, o que teria a Itália a oferecer de tão grandioso à Copa do Mundo de 2018? O que deixaremos de ver além de alguns bons jogadores (a geraçao não é ruim, como se pode imaginar)?

O mundo do futebol não permite mais que uma seleção vá passando seus jogos aos trancos e barrancos e chegue à final, como aconteceu tantas vezes com a Itália (lembremos dos três empates na primeira fase em 1982 ou do terceiro lugar na primeira fase em 1994, por exemplo). Para continuar a ser forte e respeitada, a Itália precisa mudar. Precisa de uma reflexão profunda sobre o que vem produzindo no futebol, inclusive de clubes. Algo que o Brasil não fez depois do 7 a 1, mas que a Azzurra precisará fazer, por jogar em um continente repleto de boas seleções.