O Inter fez em 2017 o que sabe fazer de melhor: ser frustrante



O Inter parece ter feito o suficiente para acordar a torcida do estupor (Foto: Ricardo Duarte/Inter)

O Inter parece ter feito o suficiente para acordar a torcida do estupor (Foto: Ricardo Duarte/Inter)

por Corneta Colorada *

A análise superficial da campanha do Inter na segunda divisão diz que o time subiu do pior jeito possível: não se impôs como um time grande, não trouxe a torcida para o seu lado, não arrumou a casa.

Uma parte da torcida esperava que a campanha pela segundona fosse uma redenção moral, uma expiação dos pecados dos últimos anos.

No lugar disso, vimos um clube com uma folha salarial 100 vezes maior que os adversários ser fretado em voos charter para fazer fiascos pelo país, culminando com uma série de resultados frustrantes em casa, nos quais a subida foi sendo postergada.

No final disso, o Inter subiu por meio de um empate ridículo em Barueri e os cartolas do clube proclamaram que o objetivo nunca foi vencer a série B, o que estaria abaixo do Inter, reafirmando assim o tipo de postura que nos levou para a segundona divisão no primeiro lugar.

Essa é, no entanto, a análise superficial dos fatos, carente de um contexto histórico. A verdade é que o Inter fez em 2017 o que sabe fazer de melhor: ser frustrante.

O Inter passou trinta anos sendo frustrante nas derrotas: os torcedores que cresceram nesse período se reconhecem nessa frustração. Ela é como um velho amigo do qual tu não gosta, mas convive por força do hábito.

O torcedor antigo sabe que Camilo é o Paulinho Criciúma que errou no corte de cabelo e não na barba, e que Leandro Damião é um Anderson Barbosa que está no seu habitat natural.

Esses torcedores, claro, estão frustrados, e por isso mesmo estão felizes: eles voltaram para a casa, um mundo no qual o Inter está sempre há um ponto de conseguir alguma coisa e no final não consegue.

Eles podem parecer um monte de velhos rabugentos comendo amendoim, mas o antropólogo que acompanhar o Inter pelo tempo suficiente vai ver que comer amendoim é uma forma peculiar de sorrir e que atirar cascas de amendoim em jogadores é uma forma de afeto.

Claro, existem os jovens de hoje, torcedores que não cresceram no período da grande frustração entre 1979 e 2006. É a geração do apoio incondicional, que acredita que esse apoio foi o que trouxe os títulos de volta.

O Inter parece ter feito o suficiente para acordar a torcida do estupor. Para esses moços, pobres moços, talvez a forma vil como o acesso foi obtida tenha algo a ensinar: a lição da vaia.

Corneta Colorada é um perfil no Twitter e no Facebook e um profeta no Medium



  • Paulo Porto

    Parei de ler quando o amigo comparou damião com anderson barbosa. Para postar algo sobre futebol, deve-se, obrigatoriamente, entender algo sobre o assunto.

  • Dhein

    ótimo texto

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