A luta de William é de quem quer o futebol para todos



Parece um tanto óbvio, mas precisa ser dito: quando alguém se sente humilhado ou ofendido, é esta pessoa que tem de ser ouvida. Não cabe a quem atacou decidir se suas palavras foram ou não ofensivas ou humilhantes.

Quando um torcedor diz se sentir ofendido pelos gritos homofóbicos da torcida de seu próprio time, é ele quem deveria ser ouvido. Em vez disso, muitos daqueles que ocupam arquibancadas ao lado dele começaram a atacá-lo e ameaçá-lo. Vasculham seu passado à procura de pistas que levem à confirmação da tese de que o torcedor, declaradamente gay, está tentando se autopromover.

Curiosa forma de se autopromover esta em que alguém coloca em risco sua integridade física, e até sua vida, para aparecer. Haveria formas mais fáceis e seguras disso, não?

Os ataques a William de Lucca apenas confirmam o ambiente tóxico das arquibancadas do nosso futebol. Confirmam a homofobia que qualquer um que já tenha pisado em um estádio sabe que existe. Mostram quanta gente está aí tentando defender seu direito de ser homofóbica, de manter o futebol como um local exclusivo para machões e para aqueles que vivam de acordo com suas cartilhas.

A discussão acerca de certas brincadeiras (?) que estão no entorno do futebol ganha dimensão cada vez maior. E aqueles que querem manter os estádios no século passado vão perder. Seu desespero é porque já estão perdendo. A caminhada é longa e árdua. Mas a arquibancada será um local digno, democrático e livre de preconceitos. E pessoas corajosas como William têm um papel relevante para chegarmos lá.

Torcida na arquibancada

A arquibancada deve ser (e será) um espaço de todos (Foto: Divulgação)