Havia um Palmeiras no meio do caminho



Matheus e Maria Eduarda acompanharam o último treino antes de o Palmeiras enfrentar o Botafogo

Matheus e Maria Eduarda acompanharam o último treino antes de o Palmeiras enfrentar o Botafogo

Há um mês, Amanda, minha mulher, sugeriu uma viagem ao “Hotel da Turma da Mõnica”. Seria uma surpresa para Matheus e Maria Eduarda, nossos filhos. Enquanto ela checava preços, hospedagem, detalhes, eu puxei o celular do bolso para ver que jogo cairia neste dia: Palmeiras x Botafogo, 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. Era hora de deixar o Palmeiras em segundo plano.

Dias antes, uma professora da escola do Matheus comenta que “ele fala bastante sobre futebol e fica falando os nomes dos times e jogadores”. Uma mãe comenta que Matheus fez o amiguinho são-paulino virar “meio palmeirense”. Amanda me chamou com aquele semblante inconfundível: “Não preciso dizer quem é o culpado, né?”. Eu disfarço o sorriso e só consigo dizer de forma atrapalhada: “Pelo menos ele convenceu um amigo”.

Chegando ao hotel, carros de imprensa estacionados. Assim que caminhamos até a recepção, notamos uma movimentação. “O que está acontecendo?”, pergunta Amanda. “O Palmeiras costuma vir pra Atibaia”, digo em voz baixa. Matheus puxa minha camisa e aponta. Atrás de nós, Moisés. Amanda arregala os olhos incrédula. E serão necessários alguns anos até alguém acreditar que eu não tive absolutamente nada a ver com isso.

Nas horas seguintes, Matheus e Maria Eduarda eram recebidos com simpatia pelos jogadores. Fernando Prass, Dudu, Gabriel Jesus, Róger Guedes, Mina. Teve foto com Cuca também, que parava para conversar com uma dúzia de septuagenários que pareciam soprar em seu ouvido as fórmulas da Academia. E teve Jaílson, o preferido do Matheus, que o encantou quando, além da foto, fez o cumprimento “tapinha-soquinho”.

O final de semana em Atibaia foi excelente. Não teve só futebol, apesar de as crianças acompanharem os treinos e Matheus jurar que aquele era o “hotel do Palmeiras”. Piscina, trenzinho, recreação, esportes, brigadeiro, mais piscina. Enfim, dias de alegria pura, sem preocupação com os horários e as rotinas de sempre.

Na volta, as crianças adormeceram, enquanto Amanda dirigia e eu tentava a todo custo sintonizar uma rádio. Quando Matheus despertou, já em São Paulo, sua primeira pergunta foi sobre o placar do jogo. Palmeiras vencia por 1 a 0, faltando ainda 35 minutos e mais uma eternidade para o fim.

Ao chegarmos, corri para a TV e conseguimos ver os 7 minutos finais, o tempo necessário para misturar euforia e desespero no mesmo pote. E o Palmeiras venceu, ficando a um ponto do título esperado há 22 anos. Matheus pulava na sala, enquanto ia gritando o nome de cada jogador que lhe concedeu alguns segundos de atenção. Aos 4 anos, vibrou como um veterano.

No fim do dia, já desfazendo as malas, Amanda pergunta o que eles mais gostaram na viagem. “Eu gostei de brincar com a Mônica e o Cebolinha”, diz Maria Eduarda. “Eu gostei de tirar foto com o Jaílson”, confessa Matheus. Cada um com seu universo, cada um com seus ídolos.

Vendo Matheus agora dormindo, penso o quanto aquele final de semana lhe reservou tantas surpresas. E certamente ele voltará ao colégio amanhã contanto aos amigos o que viu de perto aquilo que se acostumou a ver apenas pela TV de casa. Resta torcer para que a professora também seja palmeirense. Ela há de entender.