Três cenas do futebol brasileiro, este museu de grandes novidades



Em um jogo de torcida única, a do Goiás, era esperado que não houvesse violência. Mas houve. No clássico vencido pelo Vila Nova por 3 a 1, neste sábado, torcedores enfrentaram a polícia em uma confusão que começou aos 43 do segundo tempo. Balas de borracha e spray de pimenta foram usados pelo Choque, e um torcedor foi flagrado pelo SporTV com uma arma. Havia um torcedor armador dentro do Serra Dourada.

Horas antes, no interior de São Paulo, a situação foi ainda pior. Em Campinas, antes do primeiro clássico entre Guarani e Ponte Preta nos últimos cinco anos, um torcedor da Macaca foi morto aos 18 anos depois de ser baleado em um confronto nas ruas da cidade. Contrariando a polícia, que afirmou que o esquema de segurança funcionava bem, vídeos com brigas de torcedores foram postados em redes sociais.

No meio da semana, vascaínos, revoltados com a vexatória campanha na Libertadores (o time foi goleado três vezes por 4 a 0), brigaram entre si na arquibancada de São Januário. Ali havia também um teor político, com defensores de diferentes grupos políticos do clube. Cenas horríveis de pessoas caindo pelos degraus e de espancamento, enquanto cartolas calmamente observavam em seus camarotes ou iam embora em carrões.

Torcedores tentam escapar da confusão em São Januário

Torcedores tentam escapar da confusão em São Januário (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

As cenas acima são recentes, mas com cara de repetição. Já aconteceram diversas vezes com outras torcidas, em outros estádios, em outras cidades. E até com as mesmas torcidas e nas mesmas cidades. Nos revoltamos, nos indignamos, e desta vez aconteceram todas em uma mesma semana, em um período de menos de três dias. E sem contar as ameaças de torcedores do Flamengo no embarque do time para Fortaleza, no fim do mês passado. Promotores dirão que haverá consequências, serão discutidas possíveis leis específicas. E logo tudo será esquecido até que aconteça novamente.

Como diz um amigo meu, o futebol brasileiro tem um grande passado pela frente.