Daniel Ricciardo é um campeão ou bom coadjuvante? O tempo dirá



Há dois meses, antes da temporada, disse a um grupo de conhecidos que acompanham Fórmula 1: Daniel Ricciardo é um grande coadjuvante. Bom piloto, muito bom. Mas não está na prateleira dos campeões. Nenhum demérito. A prateleira de talentos sem títulos sustenta gente de alto nível como Stirling Moss, provavelmente o melhor deles. Uns foram melhores que outros, mas todos bons pilotos. Ricciardo, pra mim, se aposentaria pertencendo a este grupo. Me atiraram pedras, mas sustentei a opinião.

Que ninguém do grupo me leia por enquanto, mas, depois de seis corridas, me questiono se estava correto. Ricciardo é dos melhores, talvez o melhor, piloto da temporada.

O australiano, que venceu de forma soberba o GP de Mônaco depois de liderar todos os treinos e todas as voltas da corrida, sabe que vive uma temporada decisiva na carreira. A pouco mais de um mês de completar 29 anos, precisa provar a todos que tem capacidade de ser campeão se tiver um carro vencedor, seja na Red Bull, onde ainda não teve a chance, seja em outra equipe. E nestes seis GPs, convenhamos, está provando.

O mais simpático e sorridente piloto é terceiro colocado no Mundial, com 72 pontos, à frente de dois pilotos de equipes melhores que a Red Bull: Valtteri Bottas (Mercedes, 68) e Kimi Raikkonen (Ferrari, 60). Os dois sofreram com azar em corridas neste ano, mas o fato é que estão atrás de Ricciardo. Além do futuro campeão (??) Max Verstappen, que faz uma temporada horrível e tem menos da metade dos pontos do companheiro de equipe (35).

A merecida comemoração de Ricciardo no pódio do GP de Mônaco

A merecida comemoração de Ricciardo no pódio (Foto: Andrej Isakovic/AFP)

Ricciardo comete pouquíssimos erros e, quando tem chance de vencer, vence. Pontua regularmente e, se tem apenas sete vitórias na carreira de 135 GPs (5%), foi ao pódio 29 vezes (21%) e pontuou em 80 deles (59%). É regular e, sem ter um estilo espalhafatoso ou encher os olhos, é extremamente eficiente. E já vimos pilotos com perfil semelhante conquistando títulos, como Alain Prost e Emerson Fittipaldi (é uma comparação técnica, apenas de semelhança de estilo).

Daniel Ricciardo vive uma temporada que pode lhe credenciar a voos mais altos, quem sabe a partir de 2019. Embora seja cedo para afirmar, é possível que eu tenha feito uma avaliação errada a respeito dele. E, se tiver errado mesmo, vou achar ótimo. O australiano é daquele tipo de pessoa que é impossível não gostar. O tempo dirá.

Ricciardo dominou todos os treinos e o GP de Mônaco

Ricciardo dominou todos os treinos e o GP de Mônaco (Foto: Boris Horvat/AFP)