Culpar Rueda é isentar a diretoria do Flamengo de sua própria inércia



Por Mauricio Savarese *

“Não fomos enganados”. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, disse com todas as letras que o clube não foi enrolado pelo técnico Reinaldo Rueda enquanto ele negociava com o Chile. Apesar disso, parte dos torcedores e da mídia chama o colombiano de moleque, de antiético. É como se acreditassem que Rueda não tinha dado rigorosamente nenhum sinal de saída à cúpula do clube. Mesma cúpula que ainda na noite de segunda-feira anunciou Paulo Cesar Carpegiani como sucessor. Como poderia ter feito isso se ainda estivesse à espera do campeão da Libertadores de 2016?

No mesmo dia que Rueda anunciou sua saída, o Flamengo anunciou Carpegiani como novo treinador (Foto: Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo)

No mesmo dia que Rueda anunciou sua saída, o Flamengo anunciou Carpegiani como novo treinador (Foto: Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo)

Acreditar que Rueda enrolou o gigante carioca equivale a isentar a diretoria flamenguista da sua já conhecida inércia no departamento de futebol. Se teve sinal da saída, por que não cobrou uma declaração pública do colombiano de que ficaria no clube ou poderia sair? Por que não deixou claro publicamente que estava preocupada em perder o treinador? Fácil: é porque Rueda avisou e o Flamengo tinha esperanças em mantê-lo.

A frustração flamenguista pela saída de Rueda é compreensível. Ele chegou como grande esperança em agosto de 2017. Mas como condená-lo por aceitar um emprego com estabilidade por anos, saindo de um clube cuja média de sobrevivência dos técnicos é de cinco meses? Cinco meses.

Rueda não enganou o Flamengo, e já passou da hora de os dirigentes do Flamengo pararem de enganar a si mesmos.

* Mauricio Savarese é repórter da Associated Press