Flamengo: Rueda escolheu se transformar em vilão



Por Bruno Guedes *

O colombiano Reinaldo Rueda tinha e tem todo direito de escolher onde trabalhar. Todo cidadão deve estar livre para exercer suas opções, cumprindo, claro, pontos determinados em contrato. O agora técnico da seleção chilena, no entanto, poderia ter simplificado as coisas, evitando sair do Flamengo na condição de vilão, com interrogações postas, inclusive, sobre seu comportamento e postura.

Julgar atos e intenções sempre nos coloca em uma linha tênue, por isso, comedimento sempre é necessário. No futebol, as emoções se misturam ainda mais, já que tratamos com paixões intensas. Por isso tudo, uma simples declaração do treinador, em meio ao turbilhão de notícias veiculadas no Chile, Colômbia, Brasil e até em Honduras, poderia ter desenrolado o nó.

Após semanas de silêncio, Reinaldo Rueda deixa o Flamengo e acerta com a seleção chilena (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Após semanas de silêncio, Reinaldo Rueda deixa o Flamengo e acerta com a seleção chilena (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Nesta segunda-feira, na chegada ao Rio de Janeiro, Rueda garantiu ao repórter Ricardo Lay, da Fox Sports, que não havia negociação com a federação chilena, apenas a oferta de emprego. Ainda acusou a imprensa de veicular “informações precipitadas”. Horas depois, contudo, ficou claro que viera encerrar o vínculo com o Fla. Ora, quem agiu mal, então?

Um jornalista, por praxe, antes de publicar, pede declaração dos envolvidos. Fontes ligadas a Rueda cravaram inúmeras vezes que o colombiano comandaria a ‘Roja’. Foi dito, inclusive, que se esperaria a virada do ano para que a multa rescisória fosse reduzida. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os dirigentes do Rubro-Negro, em boa parte da novela, pareciam tão pegos no escuro quanto torcedores.

Chamar o ex-técnico do Flamengo de mau-caráter é pesado. De não profissional, muito provavelmente, impreciso. Agora, é possível dizer que o campeão da Libertadores em 2016 com o Atlético Nacional não soube conduzir corretamente a situação. Rueda deu a impressão de ser alguém que temeu se posicionar e preferiu deixar tudo correr às escondidas.

* Bruno Guedes é jornalista



  • Rene Carneiro da silva

    O futebol em suas entranhas sempre foi muito obscuro, já melhorou muito, mas ainda é obscuro nos bastidores. Mesmo com muitos repórteres investigativos e cobrindo os clubes sabe-se muito pouco o que ocorre lá dentro. Esta história do Rueda não é diferente. O que se sabe da verdade desta história, acho que muito pouco.