O fim das grid girls na Fórmula 1 é uma ótima notícia



As grid girls, aquelas moças que seguram placas com o nome e número de cada piloto no grid de largada, não farão mais parte do cenário da Fórmula 1. Sean Bratches, diretor comercial da categoria, disse que a decisão foi tomada para ficar mais de acordo com a nossa visão deste grande esporte”, referindo-se ao grupo americano Liberty, que comanda a F-1 desde o início do ano passado.

Há décadas as grid girls fazem parte do imaginário da F-1. Provavelmente viveram seu auge nos anos 1980 e 1990, usando inclusive roupas minúsculas em algumas ocasiões. Algumas mulheres famosas já fizeram este tipo de trabalho: foi como grid girl que Adriane Galisteu conheceu Ayrton Senna. Mas a função destas moças vinha sendo questionada há alguns anos por pessoas e por grupos que condenam a objetificação da mulher, usada como enfeite em um meio ainda muito masculino e machista.

A decisão anunciada nesta quarta-feira é uma vitória para todas as mulheres, ou para todas as pessoas que esperam um mundo mais igual entre os gêneros. Uma busca rápida na internet encontrará dezenas de críticas (curiosamente quase todas de homens) à medida. Há quem diga que haverá desemprego: ingenuidade ou burrice, porque não existe emprego de grid girl de F-1). É um trabalho que uma modelo executa uma vez no ano, na corrida de seu país.

Grid girls no GP da Hungria do ano passado

Grid girls no GP da Hungria do ano passado: acabou (Foto: Andrej Isakovic/AFP)

Ótimo, que gritem bastante aqueles que acham que mulheres servem pra usar roupas sensuais na frente de homens. O dia de hoje é histórico para o movimento feminista e histórico para a Fórmula 1 no sentido de dar um passo para receber mais mulheres em seu meio. Não como enfeite, não como objeto para ser admirado. Não para ouvir cantadas grosseiras de torcedores e de convidados que circulam pelos bastidores. Mas como quem aprecia o espetáculo, quem gosta de corridas.

A decisão será difícil de ser bancada. As críticas serão fortes. Em dezembro, quando Ross Brawn, diretor-esportivo da F-1, afirmou que as grid girls poderiam deixar a categoria, pilotos e chefes de equipe se manifestaram crontrariamente. Max Verstappen, Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg e diretores de Mercedes, Ferrari e Red Bull criticaram a possível ausência das moças segurando placas. A veterana modelo britânica Kelly Brook, que já trabalhou como grid girl, também foi contrária em um artigo no jornal “The Sun”. “Uma decisão assim tiraria o direito de escolha das mulheres”.

Nos anos mais recentes, mulheres alcançaram cargos importantes de engenharia, já há mulheres como chefes de equipe. E, quem sabe um dia, voltem ao grid de largada. Não reforçando valores questionáveis, mas dentro do carro.