Seleção: Daniel Alves entra para a lista macabra da Copa do Mundo



Daniel Alves: o capitão de Tite não disputará a Copa do Mundo na Rússia (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Daniel Alves: o capitão de Tite não disputará a Copa do Mundo na Rússia (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Daniel Alves está fora da Copa do Mundo da Rússia. Uma lesão ligamentar no joelho direito atuando pelo PSG tirou de disputa um titular absoluto e um dos grandes líderes da seleção de Tite, que a partir de 17 de junho, contra a Suíça, inicia a campanha em busca do hexa. Desde a Copa do México, em 1970, existe um temor que cerca as comissões técnicas da seleção brasileira. Não se trata exatamente de uma maldição, mas se tornou comum o técnico perder um selecionável antes do Mundial.

A campanha do tri não contou com Rogério, ponta titular de Zagallo que sofria com uma distenção muscular crônica e deu lugar ao goleiro Leão, reserva de Félix. Apesar do corte, ele ficou com a delegação no México e pôde levantar a Jules Rimet no vestiário. Em 1974, na Alemanha, o volante Clodoaldo sofreu uma distensão muscular e não disputou nenhuma partida, apesar de viajar com a delegação. Mirandinha ficou comsua vaga. O goleiro Wendell foi outro a sofrer com problemas físicos, abrindo espaço para a convocação de Waldir Peres.

Quatro anos depois, foi a vez do lateral Zé Maria se machucar e ceder a vaga para Nelinho. Outra baixa: atacante Nunes tinha vencido a concorrência contra Reinaldo e já estava de malas prontas, quando se contundiu. No fim das contas, Roberto Dinamite foi chamado para o time comandado por Cláudio Coutinho que terminou na 3ª colocação. A lista de baixas aumentou na Espanha, em 1982. Quatro dias antes da estreia da seleção de Telê Santana contra a União Soviética, o atacante Careca, que era uma unanimidade para a posição na época, sofreu lesão muscular e foi substituído por Roberto Dinamite, que se tornou suplente de Serginho Chulapa.

De volta ao México, agora em 1986, duas novas dores de cabeça para Telê: o zagueiro Mozer e o volante Toninho Cerezo, que cederam a vaga para Mauro Galvão e Valdo, respectivamente. Outra baixa foi a mais curiosa da história da seleção nas Copas. Renato Gaúcho havia sido descartado pelo treinador por conta de uma “noitada” e recebeu a solidariedade do lateral Leandro, que não se apresentou ao grupo. Telê chamou Josimar, autor daquele golaço contra a Irlanda do Norte. Após uma folga na Copa de 1990, na Itália, o fantasma dos cortes eapareceu. A campanha do tetra não teve no elenco o zagueiro Ricardo Gomes e novamente Mozer – desta vez, diagnosticado com hepatite. Para lugar deles, Parreira convocou Ronaldão e Márcio Santos.

Em 1998, um dos cortes que mais provocaram furor. Romário, o herói do tetra, machucou a panturrilha e foi substituído pelo volante Emerson. Em coletiva, o ‘Baixinho’ chorou e protestou contra o corte, alegando que teria tempo para disputar a fase final do Mundial na França. Naquela Copa, o zagueiro Márcio Santos (entrou André Cruz) e o volante Flávio Conceição (entrou Zé Carlos) também ficaram de fora.

Por ironia do destino, quatro anos depois, na Copa de 2002, o próprio Emerson foi cortado ao machucar o ombro brincando de goleiro num treinamento já na Coreia do Sul e deu lugar ao meia Ricardinho. Em 2006, foi a vez do volante Edmílson – na época jogador do Barcelona – ser cortado por conta de uma ruptura no menisco. Parreira levou Mineiro para a Alemanha.

Sem sustos nas Copas de 2010 e 2014, a conta chegou agora para Tite. O treinador, que acompanhou de perto as recuperações físcias de Gabriel Jesus e Neymar, terá a incumbência de anunciar o substituto de Daniel Alves na lista de 23 jogadores que irão a Copa, que será revelada na próxima segunda-feira na sede da CBF, no Rio de Janeiro.