O clássico foi o antídoto para o Corinthians curar a própria fraqueza



Nenhum time ameaçou de fato a liderança conquistada pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro, fruto de um primeiro turno que beirou a perfeição. Na realidade, a chance de uma reviravolta caiu no colo de Palmeiras e Santos por demérito do próprio rival, que vinha com rendimento de Z4 no returno. Em nenhum momento outro time jogou o suficiente para brigar por um campeonato que parecia definido no início de agosto.

E aí surgiu o derby paulista, que se transformou na grande oportunidade que o Corinthians tinha para varrer o futebol medíocre das últimas rodadas e retomar o posto de favorito único ao título. A torcida já havia dado o seu recado: mais de 32 mil pessoas para acompanhar no estádio o último treino do time antes da ‘final’ contra o Palmeiras – o segundo maior público da rodada, perdendo apenas para os 45 mil que foram à Arena Corinthians acompanhar a vitória por 3 a 2. A oportunidade perfeita para eliminar de vez a desconfiança justa acumulada nas últimas semanas.

Ao Palmeiras, frustrado pelo empate em casa contra o Cruzeiro na última rodada, ainda restava a matemática. Vencer o maior rival significaria encurtar a distância para dois pontos e inverter a confiança entre os dois times para a reta final do campeonato. A ironia do discurso é que o Palmeiras passou os últimos sete dias pregando o foco no G4. Com a derrota de domingo, foi parar justamente na quarta colocação na tabela, agora atrás de Santos e Grêmio.

Balbuena comemora seu gol na vitória do Corinthians por 3 a 2 contra o Palmeiras (Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

Balbuena comemora seu gol na vitória do Corinthians por 3 a 2 contra o Palmeiras (Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

A obsessão vendida em janeiro se tornou a própria fraqueza de um Palmeiras que falhou em todas as situações decisivas na temporada: contra a Ponte pelo Paulista, Barcelona na Libertadores, Cruzeiro pela Copa do Brasil e agora contra o Corinthians, o provável último suspiro na luta por um bicampeonato que nunca pareceu de fato se desenhar. Um ano que começou na aposta por Eduardo Baptista, passou pela mística controversa de Cuca e terminará com a dúvida sobre a permanência de Alberto Valentim, que detém a simpatia dos jogadores, mas carrega há tempos a sombra de interino.

Carille soube enfim deixar a teimosia de lado. O banco a Jadson surtiu o efeito contrário do que o treinador talvez temesse. O que se viu no gramado foi um Corinthians ligado o tempo todo, propondo o jogo, contrariando seu próprio perfil que o levou ás cabeças. Apesar do erro da arbitragem no gol de Romero, o Corinthians soube ter tranquilidade nos momentos mais críticos da partida e mereceu a vitória.

Há uma semana, muitos apontavam que o sprint do Palmeiras era inevitável. O corintiano foi dormir ontem com a certeza de que tudo não passou de um sonho ruim e que o time retornou aos trilhos do hepta. Este é o poder de um clássico, muitas vezes a final que cabe a um campeonato por pontos e dramas corridos.



  • Hélio

    O jogo de ontem foi especial mesmo. No entanto, para mim o que foi determinante foi a saída do Jadson. Apenas esse detalhes foi suficiente para o time melhorar e jogar como jogava no primeiro turno. Todos os outros atletas tiveram seu rendimento melhorado. Jadson estava atrapalhando a equipe. Isso não quer dizer que seja pésismo jogador ou que tenha que mandá-lo embora. Não é perseguição ao jogador. Mas, creio, uns dias de reserva o faça retomar o futebol e ser importante, mas para o ano que vem. Nesse, deixe-o na reserva.