Charles Leclerc, o novato do ano, desafia a história da Ferrari



Há poucas dúvidas de que Charles Leclerc ganharia o prêmio de novato do ano caso houvesse este prêmio na Fórmula 1. Não apenas pelos pontos que tem somado pela Sauber, que hoje pouco faz além de número no grid. Mas por seu estilo, arrojo, pelos pouquíssimos erros que comete. O atual campeão da Fórmula 2 tem contrato com a Ferrari e, para sentar em um dos carros vermelhos na próxima temporada, precisa que a equipe esqueça aquele que é quase um dogma: não colocar jovens pilotos como titulares.

Leclerc completará 21 anos em outubro. Se conseguir ser companheiro de Sebastian Vettel em 2019, se tornará o segundo mais jovem a guiar uma Ferrari na Fórmula 1. O mexicano Ricardo Rodríguez tinha apenas 19 anos quando alinhou em segundo lugar no GP da Itália de 1961. Depois dele, o inglês Chris Amon foi o mais jovem, com 23. Felipe Massa tinha 24 quando disputou o GP do Bahrein de 2006 usando macacão vermelho.

Charles Leclerc no Azerbaijão

Charles Leclerc sorri durante o fim de semana do GP do Azerbaijão (Foto: Sauber/Divulgação)

A Ferrari é uma equipe conservadora. Não gosta de assumir grandes riscos. Vem renovando sucessivamente o contrato de Kimi Raikkonen porque tornou-se um bom e acomodado segundo piloto, que não incomoda Vettel, consegue um bom número de pontos, erra pouco. Mas tem 38 anos, está no fim da carreira e o time sabe que precisa ter alguém capaz de substituí-lo e ao mesmo tempo que se prepare para assumir o posto de liderar a equipe quando Sebastian, que hoje tem 31 anos, parar ou mudar de time.

É cedo para dizer se Leclerc é um fenômeno, se é um fora de série. Mas não se vê todos os dias um piloto de 20 anos chegar à Fórmula 1 e fazer o que o monegasco vem fazendo pela Sauber, que, imaginava-se, disputaria com a Williams o último lugar do campeonato. Charles pontuou em cinco das 11 etapas e soma 13 pontos, contra cinco do companheiro, Marcus Ericsson, que está em sua quinta temporada. Com isso, a Sauber briga com a Toro Rosso para ser oitava colocada na temporada.

As credenciais são claras até agora. Ninguém deve se espantar caso a Ferrari renove por mais uma temporada com Raikkonen, para fazer com que Leclerc ganhe mais quilometragem quando chegar a Maranello. Como fez, na década passada, com Massa. Mas será surpreendente e empolgante caso o time esqueça um pouco seu conservadorismo e aposte num talento que pode, sim, se transformar no novo fenômeno da categoria.