1 ano depois: Chape e familiares precisam caminhar na mesma estrada



A maior tragédia do esporte mundial completou hoje um ano. Os vestígios da queda do avião que levava o time da Chapecoense para disputar a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, da Colômbia, estão por todos os lados. Nas investigações ainda cercadas de questões inconclusivas, na tristeza de uma cidade que tem o clube como uma extensão de sua própria existência, na dor dos familiares que, 12 meses depois, ainda não são capazes de abrir um único sorriso. No dia 28 de novembro de 2016, 71 pessoas morreram no voo a caminho de Medellín, entre jogadores, comissão técnica, dirigentes, jornalistas e tripulantes. Apenas seis pessoas sobreviveram.

Li muita coisa boa nos últimos dias – de reportagens a especiais dedicados a dar a dimensão exata do acidente e expor o drama vivido por tantas pessoas envolvidas com o clube de alguma forma. Mas o olhar do torcedor é sempre algo especial e inigualável. Leticia Sechini, que assina um blog sobre a Chape no ESPN FC, vem publicando nos últimos dias a série “Cartas da terra de Condá”, com olhares e ângulos diversos, uma mistura que abrange não só o sentimento de dor, mas também todo o apoio e carinho recebido de todos os lados.

As crônicas assinadas pela Leticia personificam uma relação muito próxima entre torcida e clube,  construída a partir de momentos absurdamente mágicos vividos nas arquibancadas da Arena Condá. Torcedores que perderam tudo da noite para o dia, órfãos do time que decidiram seguir por pura convicção e amor.

Colombianos prestam homenagem às vítimas do voo 2933, que levava toda a delegação da Chapecoense para Medellín (Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP)

Colombianos prestam homenagem às vítimas do voo 2933, que levava toda a delegação da Chapecoense para Medellín (Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP)

E depois de tudo que perdeu, a Chapecoense buscou sua reconstrução com o que tinha em mãos, o que, no fim das contas, era muito pouco. Declinou, inclusive, da “anistia” do rebaixamento oferecidas pelos grandes clubes e, incrivelmente, se encontra hoje com chances de voltar para a Libertadores no próximo ano. É algo imensurável, desfecho dos mais improváveis em um período tão curto de luto e retomada.

Falta agora um maior equilíbrio entre a nova realidade esportiva da Chape e as indenizações possíveis para os familiares das vítimas. Existem muitas associações envolvidas e não está claro o limite de apoio financeiro que o clube pode dar. Não é uma questão simples, mas que exige um acompanhamento constante. Passa também pela LaMia, empresa com sede na Bolívia ainda sob investigação, cujo grau de culpa pode definir os rumos das quantias a serem pagas.

Por tudo o que aconteceu, a Chape estar de pé hoje não deixa de ser um fenômeno, assim como foi quando despontou no cenário nacional subindo de divisões e marcando sua trajetória com resultados expressivos para um clube de pequeno porte, mas muito bem gerido. O roteiro dos gramados é incrível, mas há muitos envolvidos que precisam de algo muito além disso. A bola voltou a rolar, mas a vida de muitos ainda está em compasso de espera.

 

 



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