Castanha: ‘O CSA ainda faz com que meu coração bata como nos meus tempos de juventude’



por Cícero Lopes de Araújo, o Castanha *

Meu nome é Cícero Lopes de Araújo, mas todos me conhecem por Castanha. Trabalhei no CSA por mais de vinte anos. Foi o clube onde minha vida profissional tomou outro rumo. E foi lá que tive as melhores oportunidades de minha história. Em alguns momentos, a vida do clube se confundia com a minha, pois já morei naquela concentração, no Mutange. Viajei por este país de um canto a outro nos tempos áureos do clube. São muitas lembranças, vários fatos marcantes e títulos também.

Inclusive, um fato inusitado marca a minha história e a do clube quando, em 8 de abril de 1976, agindo por impulso entrei em campo – num clássico contra o CRB – e chutei a bola que tinha como destino certo o gol. O jogo valia o turno para o Azulão, mas não levamos o título naquele ano. Deixei de trabalhar no CSA em 1980. Mas o clube não saiu do meu coração. Mesmo fora dos gramados acompanhei a trajetória de meu time. Sofri com as derrotas, rebaixamentos e até com a falta de calendário em algumas ocasiões. Mas, como um grande time de massa, o CSA soube se reerguer.

Em 2016, meu clube voltou a  recuperar a auto estima de seus torcedores: saímos da Série D do Campeonato Brasileiro, rumo ao ano de 2017, quando disputaríamos a Série C. Iniciamos a temporada com o campeonato estadual, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série C. Tropeçamos em alguns momentos e nos reerguemos em tantos outros.

Mas nada vai me tirar da memória o dia 25 de setembro de 2017. Voltei ao Rei Pelé, palco onde estava acostumado a ver o CSA fazer história diante de uma multidão. E aquela noite não foi diferente. Relembrei os tempos áureos de meu clube, toda uma história construída com União e Força, como está cravado no escudo do time.

Charlene e seu pai Castanha, ex-massagista do CSA homenageado na noite que garantiu o acesso do clube à Série B (Foto: Acervo Pessoal)

Charlene e seu pai Castanha, ex-massagista do CSA homenageado na noite que garantiu o acesso do clube à Série B (Foto: Adailson Calheiros)

Diante do Tombense, o CSA voltou a fazer história, conseguiu o acesso para a Série B do Brasileiro. Não tenho como explicar o que senti. Quase 20 mil pessoas saudando e comemorando com o clube. Chorei feito menino, mesmo aos 73 anos.

E ainda naquela noite, o CSA me proporcionou mais uma grande emoção, porque o clube homenageou ex-atletas e este humilde massagista. Como foi bom poder pisar novamente naquele gramado e ouvir os torcedores gritando nossos nomes. Além disso, um fato em particular fez com que minhas lágrimas demorassem a secar: minha filha estava trabalhando na transmissão da partida pelo Esporte Interativo e me recebeu em campo, onde choramos juntos com a homenagem.

Costumo dizer que não ganhei muito com o futebol, mas o que conquistei não há dinheiro que pague. E o CSA, mesmo com os altos e baixos que um clube passa no dia a dia, ainda faz com que meu coração bata com a mesma emoção dos meus tempos de juventude. Parabéns pelo acesso, Azulão! Que venham mais alegrias e acessos.

* Castanha, ex-massagista do CSA, em relato a sua filha Charlene Araújo, repórter do canal Esporte Interativo



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