1 verdade e 3 mentiras após a vitória do Brasil contra a Costa Rica



A verdade

O Brasil mereceu a vitória contra a Costa Rica, mesmo que ela tenha se materializado apenas nos acréscimos. Após um primeiro tempo de lentidão e muitos erros de passe, a seleção se encontrou na segunda etapa e criou chances o tempo todo. As substituições de Tite surtiram efeito e também confirmaram a impressão após o empate contra a Suíça: Douglas Costa e Firmino cada vez mais se aproximam da titularidade. A vaga para as oitavas ainda não está confirmada, mas a vitória de ontem foi fundamental para reduzir a pressão emocional. Coutinho, mais uma vez, foi o nome do jogo. Um jogador que carrega os holofotes de forma silenciosa e que dita a paciência necessária para furar defesas extremamente compactadas.

Neymar tem uma necessidade infundada de rebater todas as críticas que recebe (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Neymar tem uma necessidade infundada de rebater todas as críticas que recebe (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

As mentiras

“Nem todos sabem o que passei para chegar até aqui, falar até papagaio fala, agora fazer… poucos fazem! (…) Na minha vida as coisas nunca foram fáceis”. O desabafo de Neymar começou com o choro ainda no gramado e terminou com o clássico textão nas redes sociais. O camisa 10 é um consumidor voraz de tudo que falam dele na imprensa e nas redes e a todo momento busca rebater qualquer vestígio de crítica. Neymar é desde a Copa de 2014 o principal nome do futebol brasileiro, e sua trajetória em busca do protagonismo máximo obviamente carrega os efeitos colaterais de uma exposição demasiada e orquestrada não só por ele, mas também por assessores, amigos e patrocinadores. Está claro que Neymar chegou à Rússia fora de suas melhores condições físicas, mas, uma vez lá, é natural que exista uma análise profunda sobre seu desempenho e suas condutas. Ontem, o perfil irritadiço voltou a dar as caras e nem mesmo o gol é capaz de camuflar que este desequilíbrio emocional do jogador pode colocar a seleção numa posição bastante delicada – como foi na Copa América de 2015.

“É apoiar acima de tudo, críticas a gente já tem demais, a gente convive com isso, em todas as profissões são assim, sabemos o que é (…) Tem que apoiar os jogadores”. A fala de Gabriel Jesus também esbarra na contradição. A seleção brasileira chegou à Copa do Mundo em um ambiente extremamente favorável, muito por conta da ótima sequência nas Eliminatórias desde que Tite assumiu o comando. Sem críticas, resgate do favoritismo, bom relacionamento entre jogadores, poucas contestações em relação aos convocados – algo raro no histórico brasileiro. Mas quando a Copa começa, o que importa é o que mostra o campo. A necessidade de adulação contínua expõe a imaturidade de alguns jogadores que passam pela primeira vez por esta experiência. Sobra vontade, falta calo para absorver os momentos adversos.

Na coletiva após a vitória contra a Costa Rica, Tite soube mover as peças dentro do seu próprio tabuleiro. Disse que marcaria o pênalti sobre Neymar e usou a anulação do VAR para reiterar a reclamação em relação à primeira partida, quando o árbitro de vídeo não foi utilizado no lance do gol da Suíça. Mas a distorção veio justamente quando o treinador buscou engrandecer a atuação da seleção, atrelando a dificuldade à atuação de Keylor Navas. Quem assistiu à partida atentamente percebeu que o goleiro costa-riquenho não fez nenhuma defesa difícil e não interferiu no resultado final. Visivelmente mais exaltado, Tite dá sinais de que também sentiu o peso das críticas logo após o início da Copa, algo que inexistiu desde que conseguiu resgatar a seleção de uma condição bastante frágil. Seu discurso também faz parte da estratégia, mas, de certa forma, realça a vitimização costumeira.