O tiro do Botafogo saiu pela Porta dos Fundos



As brigas que um clube compra muitas vezes revelam o seu tamanho atual no futebol brasileiro. E o Botafogo hoje se encontra camuflado entre os grandes, buscando retomar um protagonismo que lhe falta até no próprio estado do Rio de Janeiro. Um clube pouco vitorioso nos últimos anos, combalido financeiramente e com uma ou outra campanha que foge à regra e orgulha o torcedor, como foi a Copa Libertadores da América de 2017, quando o técnico Jair Ventura conseguiu extrair muita coisa de um elenco bem limitado.

Neste ínterim, o Glorioso entrou numa disputa judicial descabida. Em 2015, o clube processou o canal de humor Porta dos Fundos por conta de um vídeo que fazia piada com a quantidade de patrocínios na camisa do time – na época, o Botafogo disputou o estadual estampando em sua camisa uma série de anúncios de produtos do mercado atacadista.

O Botafogo tinha seus motivos para ficar irritado, claro: o vídeo coloca o Flamengo em uma posição de superioridade, foi gravado no centro de treinamento do rival e o canal ainda tem como um dos sócios Antonio Tabet, o então vice-presidente de comunicação do rubro-negro. Mas a questão não é essa, e sim o tipo de visibilidade negativa quando você decide confrontar justamente quem busca a provocação irrestrita como combustível do sucesso.

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Reprodução Youtube

Dito e feito. Nesta semana, o Porta dos Fundos venceu, em segunda instância, o processo e pode recolocar o vídeo no ar neste sábado, quando em poucas horas já bateu mais de 125 mil visualizações. O Botafogo ainda pode recorrer, mas o estrago já está feito e o canal, para não fugir do seu perfil, já está batendo bumbo com a decisão judicial, incluindo nos créditos finais uma óbvia ironia. O descritivo do vídeo também não deixa dúvidas sobre a intenção: “O futebol é uma caixinha de surpresas. E o jogo só acaba quando termina”.

Segundo a sentença judicial, “a liberdade de expressão autoriza programas humorísticos a usar marcas comerciais famosas em seus esquetes, sem precisar de autorização”. O Botafogo pedia R$ 1,2 milhão de indenização por danos. As duas derrotas nos tribunais até agora foram por unanimidade.

Melhor seria buscar a aproximação do que o confronto, como fez no final de 2017, ao fechar um patrocínio pontual com Felipe Neto, um dos youtubers de maior expressão na atualidade. O Botafogo precisa entender que não vai recuperar sua credibilidade no grito. Existe ainda um longo legado de gestões amadoras para ser tirado do caminho. A internet, muitas vezes, é só o depósito do que se torna cada vez mais concreto fora das redes.



  • joaquim sérgio

    O botafogo nunca foi grande, sempre foi um time mediano.

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