O álbum da Copa do Mundo já não é mais o que era antes



Por Bruno Guedes

A lembrança é muito viva: ouvia meu pai chegando do trabalho, por volta de 10 da noite, e ficava eufórico. As figurinhas estavam chegando para mim. O primeiro de uma Copa do Mundo, que será sempre marcante – embora fisicamente esfacelado -, foi em 1990. Aquele era um imenso prazer, mas, que pela primeira vez, parece ter se esgotado.

O pior é a sensação de que não sou o único que me decepcionei neste ano, com um valor exorbitante em cada pacotinho, com a maldita supervalorização dos cromos metalizados, com o mercado negro. Muitos amigos parecem compartilhar a sensação, tanto é que não sou o único a correr para chegar a marca de 40 figurinhas faltantes, o que permite fazer pedido à Panini, editora que produz o álbum.

Garanti presença na brincadeira, ainda no início de fevereiro, na pré-venda da edição de capa dura, sem saber ainda o preço afixado para os pacotes, de R$ 2 – um absurdo, inclusive, porque se trata de uma coleção de 681 cromos. O tema já foi bastante discutido, devido à crise financeira que assola o país e tudo mais, afetando o poder de compra do brasileiro.

Ainda assim, tradição é tradição e o jogo seguiu para mim e para muitos. Aos poucos, a coleção foi sendo preenchida e era notório que as tais “brilhantes” seriam escassas. Na hora de trocar, para alguns, elas valem duas ou três unidades das “comuns”. No espaço para troca de um shopping, localizado na zona sul do Rio, presenciei um vendedor pedindo R$ 7 em uma dessas figurinhas. SETE REAIS!

No mesmo local, o que mais se vê são pessoas com pastas, contendo milhares de figurinhas, quase todas para venda clandestina. As imagens metalizadas se destacam, com dezenas dos mesmos escudos ou cromos especiais, como as seleções campeãs, a bola e outros símbolos do Mundial. Enquanto a maioria sofre para encontrá-las, alguns retêm uma boa parcela delas.

O desânimo foi batendo aos poucos, embora ainda tenha conseguido encontrar prazer em tirar uma figurinha que não se tem, de trocar aquela que estava faltando para completar uma seleção. Talvez eu tenha envelhecido, talvez o “mundo real” tenha tomado conta de vez de uma diversão de criança. Veremos o que 2022 nos espera…