No GP da Espanha, vimos que a Fórmula 1 mira mesmo o futuro



E não é que a temporada “pegou”? As dificuldades de ultrapassagem existem. Mas, diferentemente do que se previa – inclusive este blogueiro -, isso não está tornando os GPs chatos. E na Espanha se viu a melhor corrida da temporada até agora, com a disputa entre Sebastian Vettel e Lewis Hamilton dando sinais de que vai mesmo seguir até o fim do campeonato.

Hamilton, vencedor em Barcelona, tem 104 pontos, contra 98 de Vettel, segundo colocado. A diferença de 13 pontos caiu para seis. A “nova” Fórmula 1 tem uma cara boa de se ver. E por um conjunto de fatores. A briga entre os dois candidatos ao título é a apenas a ponta mais visível. Que também passa pelos carros, bonitos como há muito não se via, e por uma mudança de atitude da categoria, fruto de sua nova direção.

Hamilton no pódio do GP da Espanha

Lewis Hamilton celebra a vitória no GP da Espanha (Foto: Lluis Gene/AFP)

No primeiro campeonato sob o comando do Liberty Media, o grupo americano que tirou do poder Bernie Ecclestone, a Fórmula 1 quer se reaproximar do público, algo necessário para uma categoria que vem perdendo audiência e que não conquistava mais fãs jovens. No sábado, a entrevista coletiva dos três primeiros colocados no grid foi feita na pista, diante do público, e não na salinha fechada apenas aos jornalistas com credencial no peito. Hoje, a Ferrari buscou na arquibancada um pequeno fã francês que chorou ao ver Kimi Raikkonen abandonar a corrida ainda na largada – o jornalista Thiago Arantes contou a história completa no site Grande Prêmio.

A disputa entre Vettel e Hamilton, que tem uma boa chance de durar até a corrida final, é uma recompensa que aconteceu rapidamente para uma categoria que resolveu entrar de vez (e com muito atraso) na era da internet, com as exigências de uma nova geração que não se contenta apenas em ficar em frente à TV vendo corridas. É preciso mais. É preciso fazer parte.

O GP da Espanha, tão bom de se ver, com possibilidades estratégicas interessantes entre Mercedes e Ferrari, empolgou não apenas como um fato isolado, mas também por indicar que a Fórmula 1 olha para o futuro e, enfim, está se preparando adequadamente para ele.