De RC a RC, os discursos e atitudes que personificam o São Paulo



Rodrigo Caio, ou RC. Aos 39 minutos do primeiro tempo, com o São Paulo em desvantagem, o juiz Luiz Flavio de Oliveira assinala “pisão” no goleiro Renan e amarela Jô, atacante do Corinthians e autor do gol que abriu o caminho da vitória por 2 a 0. O cartão, inclusive, tiraria o jogador da partida de volta, em Itaquera. Rodrigo Caio, que acidentalmente havia tocado no seu companheiro, percebe o engano da marcação e alerta ao juiz, que retira o cartão e agradece ao jogador pelo Fair Play.

Rodrigo Caio, o RC. Há pouco mais de um ano, teve que ouvir de Rodrigo Gaspar, assessor da presidência do clube, que era um “jogador de. condomínio”, uma analogia pejorativa para rotular, segundo suas próprias palavras, um jogador “bonzinho, mas fraco. Fraco de futebol e personalidade”. Poucos meses depois, Rodrigo Caio estava na equipe de Rogério Micale que conquistou o ouro olímpico para o Brasil. E é visto internamente hoje como uma peça que seguramente renderá um bom dinheiro ao São Paulo em uma futura venda.

Rodrigo Caio, o RC. Não é unanimidade entre a torcida. Joga de zagueiro, ou de volante. Esteve presente em dolorosas derrotas do Tricolor, como em clássicos contra Palmeiras e Corinthians. Jamais se escondeu, quase sempre é colocado na linha de frente nas coletivas de imprensa. Exerce uma liderança conquistada por algum motivo não tão escancarado assim. Mas está lá, defendendo o clube dentro e fora de campo.

Rubens Chiri / saopaulofc.net

Rubens Chiri / saopaulofc.net

Rogério Ceni, o RC. Maior ídolo da história do São Paulo. São tantos jogos títulos e recordes que a unanimidade dentro da torcida se justifica. A aposentadoria veio com algum atraso. Apesar de ser importante em um momento de reconstrução do time, seu declínio técnico era notório e atrasava a linha sucessiva da meta tricolor. Ninguém o tiraria de lá por conta própria. Parou quando enfim percebeu o seu limite.

Rogério Ceni, o RC. Chamado para ser treinador do São Paulo de forma precoce, mas com todo o respaldo possível. Antes mesmo de avançar nos estudos, recebeu o convite de dirigir um clube cuja história de mistura a todo o momento com sua carreira. Arriscou, encarou o desafio mesmo sabendo que teria em mãos um time desequilibrado, um elenco enxuto e uma torcida impaciente. Os quatro primeiros meses foram de apoio incondicional. Ontem, após a derrota no clássico, torcedores organizados protestaram em frente aos portões do Morumbi. O recado era para os jogadores, mas, obviamente, respinga no treinador.

Rogério Ceni, o RC. As declarações de hoje foram muito similares àquelas de outras derrotas ou em apresentações ruins do São Paulo. Rogério Ceni se mune com uma série de estatísticas que nem sempre correspondem a algo significativo. E, ao mesmo tempo, costuma não atribuir ao adversário nenhum mérito pelo revés. Foi assim contra Cruzeiro e Corinthians, em um intervalo de poucos dias, dando a entender, por suas explicações, que as derrotas foram fruto de uma casualidade. As oscilações são naturais para este início de trabalho, ainda mais se tratando de um treinador sem experiência alguma.

Ceni não precisa sempre camuflar fraquezas, algo que também foi recorrente a cada falha debaixo nas traves nos tempos de goleiro. Também não precisa usar números em vão, quando o resultado final lhe tira a muleta do scout. Pode se inspirar em Rodrigo Caio, que soube enfrentar a resistência de sua própria torcida, de seus próprios dirigentes e, mesmo diante da adversidade, é capaz de levantar a mão e admitir o que é certo. Certamente cabe na enorme bagagem de Rogério um pouco da simplicidade de Rodrigo. É desta mescla que talvez se revele as trilhas para um novo caminho a ser percorrido pelo São Paulo.



  • Vitório Henrique Rotava Adorno

    nas duas derrotas ele reconheceu os méritos dos outros times, especialmente contra o curintia. ele ainda defende que o cruzeiro nao criou chances. leitura bem legal da situação e ótimo texto, mas esse “nenhum mérito” no penúltimo parágrafo ta polêmico!

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