Com a Copa do Mundo na esquina, é hora de mirar os europeus



Na hora do hino, não havia semblantes de choro de 2014. Nem as faces sisudas da seleção de Dunga. Todos sorriam. Mas não era soberba, e sim a confiança de que o caminho para resgatar a credibilidade técnica e tática do Brasil enfim fora descoberto.

Ao Paraguai, restava buscar o que ainda ninguém conseguiu: vencer o time de Tite. Começaram caçando Neymar, tentando eliminar o mal pela raiz. Bateram uma, duas, três vezes. O camisa 10 não se intimidava e exercia o seu papel de líder, carregando a maioria das bolas em direção ao ataque. Mas o primeiro lance real de perigo foi do Paraguai, que desperdiçou ótima chance após passe errado de Miranda.

Aos 20 minutos, a bola já passava por 75% do tempo pelas chuteiras brasileiras. Faltava espaço, então o time rodava a todo momento, com troca de posições rápidas. O público na Arena Corinthians fez valer a máxima da torcida paulistana em jogos da seleção: sem paciência, sem empolgação e munida apenas do cada vez mais ridículo grito de “bicha” a cada tiro de meta batido pelo goleiro adversário – algo que já rendeu multa da Fifa à CBF.

Então Philippe Coutinho resolveu acelerar o processo. Cortou em diagonal, tabelou com Paulinho, que devolveu a bola num lindo toque de calcanhar, e bateu forte e seco para abrir o placar – uma jogada que tantas vezes repetiu com perfeição nas últimas duas temporadas pelo Liverpool.

Aos 5 minutos do segundo tempo, Neymar quis abreviar de vez o que todo mundo esperava. Numa arrancada absurda, driblou o que apareceu pela frente e cavou o pênalti – a velocidade do lance ajudou a ludibriar o juiz. Na cobrança, abusou tanto das paradinhas, que chegou na bola sem força e convicção. Ficou fácil para o goleiro Silva defender.

Neymar: 52 gols em 77 jogos oficiais pela seleção, só atrás de Romário, Ronaldo e Pelé (foto: NELSON ALMEIDA / AFP)

Neymar: 52 gols em 77 jogos oficiais pela seleção, só atrás de Romário, Ronaldo e Pelé (foto: NELSON ALMEIDA / AFP)

Só que os gênios não costumam falhar duas vezes seguidas. Nova arrancada quilométrica, corte seco e finalização dentro da área. Uma jogada já clássica de Neymar, como se golaço tivesse a receita anotada à mão no caderninho.

Ainda teve outro gol de Neymar, invalidado após bandeirinha e juiz chegarem a um consenso sobre um erro óbvio. A tecnologia analógica anulou o gol do Brasil, mas foi incapaz de evitar o replay do primeiro tempo. Coutinho tocou pra Paulinho, que gastou seu último cartucho de calcanhar. A bola sobrou para Marcelo, que tocou fácil para cravar o 3 a 0 no placar final.

Com a liderança folgada e a vaga garantida, a Rússia agora é só questão de tempo. Mas a verdade não pode se camuflar em meio à empolgação: apesar do bom nível de algumas seleções sul-americanas, faltam testes agora contra os europeus, que sempre serão um melhor termômetro para ratificar um eventual favoritismo brasileiro em Copas.

Um desafio enorme até 2018, não muito maior do que o tamanho da façanha que Tite alcançou em tão pouco tempo. O treinador provou que a seleção brasileira não precisava dos latidos de Dunga para ressuscitar. Precisava era ser bem treinada mesmo.



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