Alemanha e Brasil se enfrentarão: esqueça, não é revanche



Mais de um ano antes, você e eu já podemos ver as manchetes: “Alemanha e Brasil farão revanche do 7 a 1”. Se a vitória for brasileira, haverá quem diga que foi vingança. As duas seleções se encontrarão dia 28 de março de 2018 em um amistoso em Berlim, conforme anuncio feito pela CBF nesta sexta-feira. Importante dizer: não haverá revanche ou vingança alguma. Sem chance.

A maior derrota da história do futebol dificilmente será vingada. Para isso seria necessário devolver uma goleada de mesmo tamanho em um evento de mesma proporção. Ou seja: o Brasil eliminar a Alemanha com uma goleada em um Mundial disputado em solo alemão. O país já recebeu uma Copa 11 anos atrás, não deve receber outra tão cedo. Ainda que receba, seria necessário cruzar com o Brasil e ser goleada. E, convenhamos, quantas goleadas você se lembra da Alemanha ter sofrido? Ok, seria aceitável falar em vingança com uma eliminação mais discreta, um 3 a 0, talvez. Mas qual é a chance?

Em 1999, eu trabalhava na editoria de esportes de um grande jornal quando o Rio recebeu uma edição da Copa do Mundo de futebol de areia – à época a Fifa não era responsável pelo torneio. O Brasil estrearia contra a França e a memória da derrota na final da Copa de 1998 estava fresca na memória. O jornal então chamou de “dia da vingança” aquele evento. A seleção brasileira era a melhor do mundo, a França não tinha relevância e o jogo era na areia, por uma competição ainda meio mambembe. Brasil venceu por 15 a 5. Vingança.

Alemanha e Brasil vão se enfrentar daqui a um ano e esta é uma boa notícia. Um destes raros amistosos que realmente dão vontade de assistir. E um jogo importante para o Brasil, que não disputará a Copa das Confederações e terá poucas partidas até o Mundial de 2018. Mas é isso e só isso. Sem vingança, sem revanche. Um amistoso envolvendo nove títulos mundiais. Não precisa ser mais que isso pra ser bom.