Com Dunga, um pé na cova. Com Tite, um pé na Copa



Gabriel Jesus é um dos símbolos de uma seleção brasileira que perdeu o medo de entrar em campo (Foto:  Luka Gonzales / AFP)

Gabriel Jesus é um dos símbolos de uma seleção brasileira que perdeu o medo de entrar em campo (Foto: Luka Gonzales / AFP)

Há poucos meses, quem, em sã consciência, ficaria animado para ver uma partida da seleção brasileira em plena madrugada? A resposta é tão óbvia quanto a empolgação que hoje se vê por todos os cantos com o inicio avassalador de Tite no comando técnico. Em Lima, vitória do Brasil por 2 a 0 contra o Peru.

Seis vitórias em seis jogos válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mais do que os 18 pontos, um futebol alegre, rápido, inteligente, convincente. O trio formado por Neymar, Coutinho e Jesus é pra deixar qualquer zaga adversária com pesadelos até a próxima data FIfa. Laterais firmes e zaga firmes durante 90 minutos. Um meio de campo que sabe rodar a bola e apoiar o ataque sempre que surge a brecha.

A boa notícia é que o Brasil é novamente uma seleção. A má notícia é que ainda falta um ano e meio para a Copa. Apesar das vitórias em confrontos difíceis, o caminho é bastante longo. E não passa apenas pelo retorno das Eliminatórias em março, mas também por futuros amistosos contra seleções europeias que chegarão à Rússia com pompa e circunstância, como Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha.

E quando a derrotar vier, Tite, que até brincou “torcer para que ela chegue rápido”, caberá a essa seleção rir dos fantasmas recentes e assumir a nova condição que ela própria gerou. Não há mais espaço para o pragmatismo de treinadores bisonhos ou ultrapassados. Não há mais condição de baixar a cabeça dentro do próprio continente. Não faz sentido assumir o papel de coadjuvante. A safra de jogadores é boa o suficiente para fazer valer em campo tudo aquilo que o sebastianismo sustentou por décadas.

Mas o Brasil ainda não tem o direito de gritar nas ruas que o hexa é só questão de tempo. O tamanho da evolução é tão grande que corre o risco de se esquecer que, no fim das contas, são apenas 6 jogos. E que o sucesso é tão dinâmico quanto a tragédia. E que o futebol não costuma ter lógica ao alçar ídolos e enterrar sonhos. Mas as perspectivas são as melhores possíveis. E Tite, por mais que tente fugir (ou ao menos disfarçar) do rótulo, personifica esse resgate da relação de confiança entre seleção brasileira e torcedor.

Com Dunga, um pé na cova. Com Tite, um pé na Copa.



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