Os velhinhos são a grande surpresa do Campeonato Brasileiro



Robinho é o principal destaque do Galo na temporada (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

Robinho é o principal destaque do Galo na temporada (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

O torcedor sempre torce o nariz para os veteranos que jogam no futebol brasileiro acompanhados por salários inflacionados. Mas, ao menos em 2016, eles estão entregando – e muito. Na lista de artilheiros do Campeonato Brasileiro, três dos quatro primeiros colocados já passaram dos 30 anos. Com 13 gols, Diego Souza (Sport, 31 anos) e Fred (Atlético-MG, 33 anos) dividem a liderança, seguidos pelo intruso William Pottker (Ponte Preta, 22 anos) e Robinho (Atlético-MG, 32 anos), ambos com 12 tentos.

Mas não é só este ranking que chama a atenção. Muitos deles estão abusando da experiência para carregar seus times. Se o Sport se livrar do rebaixamento, Diego Souza será o maior responsável. O jogador é uma ilha de talento em meio a um time confuso, com troca de técnicos e que perdeu sua aura de intocável na Ilha do Retiro – é só o décimo melhor mandante do torneio. Robinho é outro que se tornou titular absoluto de um time repleto de jogadores ofensivos de qualidade. Entre Fred, Pratto e Robinho, só o ex-santista não costuma frequentar o banco. Livre de lesões e munindo o Galo de gols e assistências, briga também pelo posto de melhor jogador do campeonato.

O líder também tem um velhinho para chamar de seu. Zé Roberto cogitou se aposentar após o Palmeiras conquistas a Copa do Brasil em 2015, mas repensou e se tornou um dos pilares do time montado por Cuca. Longe de demonstrar poder de marcação ou de apoio ao ataque, Zé, aos 42 anos, sabe rodar a bola nos momentos mais difíceis e parece exercer uma liderança fundamental sobre um grupo pressionado pelo fim de um tabu que já dura 22 anos. De quebra, Jaílson, aos 35 anos, recebeu a dura missão de substituir o lesionado (e também veterano) Fernando Prass e se tornou um dos nomes mais cantados pela torcida alviverde nas arquibancadas.

Se o Flamengo transformou um ano sem muitas pretensões em motivo de empolgação para a torcida, muito se deve à chegada de Diego Ribas, 31 anos. O melhor meia do Campeonato Brasileiro procura a bola a partida toda e, se o ataque rubro-negro fosse mais eficiente, provavelmente estaria ainda colado ao Palmeiras na tabela. Ao ver Diego jogar, surge a decepção por ter demorado tanto a atuar novamente no Brasil.

Se Gabriel Jesus e Gustavo Scarpa eram duas apostas certeiras de renovação, coube aos mais experientes dividirem o protagonismo de um campeonato muito brigado, mas longe de ser brilhante tecnicamente. Os velhinhos não enganaram ninguém. Pelo contrário, deram um sopro de talento que raramente se encontra por aqui.



  • Luiz Fernando

    ‘Longe de demonstrar poder de marcação ou de apoio ao ataque, Zé, aos 42 anos, sabe rodar a bola nos momentos mais difíceis’

    Me desculpa, mas o Zé dá show na defesa e no ataque, deixa muito lateral de vinte e poucos anos no bolso.

  • Gilmar SAntos

    Parabéns Fabio Chiorino, pela excelente análise a respeito dos “velhinhos” do Campeonato Brasileiro de 2016, realmente estão provando que quando o atleta cuida bem da parte física, alivia as noitadas e demais abusos, as chances de carreira de sucesso prolongada é natural. Porém, você esqueceu de comentar a respeito do Renato, meio-campista do Santos FC, que aos 37 anos esbanja preparo físico, técnica e visão de jogo, acima da média para o futebol brasileiro atual, sendo um dos atletas que mais jogou esse ano no Brasil…aliás, desde 2002, quando a geração Robinho/Diego/Renato/Elano, surgiu para o futebol, os mais badalados sempre foram Robinho e Diego, mas na minha visão, Renato foi o equilíbrio do time campeão em 2002 e agora, passados 14 anos, continua com a mesma função no time atual.

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